Cortar cabelo.
Novembro 11, 2009 Deixe um Comentário
Eu nunca gostei de cortar cabelo. Desde pequeno. Claro que quando se é pequeno é a mãe da gente que escolhe o corte, e talvez isso justifique meu trauma. Minha mãe elaborava verdadeiras loucuras na minha cabeça para serem executadas pelo cabeleireiro. Ele em troca me dava uma bala. Legal! Minha dignidade por um doce. Uma boa troca esta. Era aquele cabelo estilo pinico. Uma franja cortada a régua de tão reta e, me arrepio só de pensar, estilo Chitãozinho e Xororó. Fase difícil esta. Mas cabelo cresce dizia minha mãe.
E virtude disso na minha adolescência eu evitava ao máximo cortar cabelo. Sempre demorava meses. Como estudava em colégio adventista, existia uma regra lá que era “meninos com cabelos curtos e meninas não usam saias. Para ambos, nada de beijo”. O divertimento era pouco vocês podem imaginar. Eu arrastava ao máximo o dia de cortar o cabelo. Ia mesmo quando o vice-diretor decretava “só entra amanhã na escola com o cabelo cortado.”. Só que o problema de ficar muito tempo sem cortar o cabelo é que quando você corta o impacto é muito maior. Então sempre no outro dia, ao entrar na sala ouvia a turma em coro “Aêeeeeee!! Cortou o cabelo”. Se a estabilidade financeira dos cabeleireiros dependesse única e exclusivamente de mim, a década de 90 teria sido bastante magra para eles.
Hoje em dia não tenho mais problemas com cortar o cabelo, e quando vou lá gosto de ficar reparando em alguns detalhes.
Uma coisa que eu acho engraçada é que a grande maioria dos cabeleireiros é gay. Nada contra os gays evidentemente. Mas queria saber em que ponto da vida o cara pensa – sabe de uma coisa, acho que eu gosto de dar o cú. Que saber? Vou cortar cabelo.
Eu entendo que os gay tenham facilidade para profissões que envolvam a sensibilidade como arte, moda, música, teatro e proctologia. Mas cortar cabelo não é uma atividade que exija isso. Estamos falando de cabelo não de uma tela em branco. Imagino Da Vinci na frente de um chumaço de cabelo todo enrolado, cheio de cachos e nós, na não um pente, uma chapinha, falando – “Vocês vão ver só, vou deixar esta Mona Lisa.” Não faz sentido.
Desculpem-me as mulheres cabeleireiras, mas de fato os gays levam mais jeito para cortar cabelo. Acho que isso é em virtude de que mulheres que trabalham na profissão de barbeiras levam este nome muito a sério e acabam fazendo verdadeiras barbeiragens em nossas cabeças. Também quem mandou dar um o nome para a profissão que também pode ser utilizado como xingamento no trânsito. Imagino que toda vez que uma mulher pega uma máquina zero para fazer os cantinhos daquela voltinha da orelha já pensa -“Calma que isso é só uma espécie de baliza”. A última cabeleireira que tive teve que se aposentar depois de cortar meu cabelo. Tomou 60 pontos na carteira. Mas cabelo, já dizia minha mãe, felizmente cresce.